driving me crazy ou o que deve ser

 

 

1990: eu no metrô, após assistir à peça “O concílio do amor”, de Oscar Panizza, dirigida pelo Gabriel Villela.   Eu assistindo à peça pela segunda vez, com amigos do curso de teatro da Metodista. Eu embasbacado pela peça.

1990: eu no metrô, voltando do Centro Cultural Vergueiro. Eu com 20 anos de idade, e um cara massa sentado à frente, e a gente se olhando muito, e de repente a gente conversando e eu mudando de destino e descendo em outra estação, e a gente indo pra noite.

Uma boate no bixiga. Nada do povo blasée que meses depois eu veria na boate Malícia, dos Jardins; nada da multidão e da ferveção que meses depois eu veria na boate Homo Sapiens, no Centro. Mas, uma boate meio fuleira, meio pobrinha. Poucas pessoas.

Grace Jones canta “La vie en rose”, e ele dança um bocado. Depois, vem Fine Young  Cannibals com “She drives me crazy”. E eu vou pro meio da pista, nós dois vamos pro meio da pista. Nós dois dançamos. Nós dois nos abraçamos e dançamos juntos e nos beijamos.

1990 ou 1989, porque agora a memória se confunde. Acho que foi em 1989, e eu assistiria à peça apenas no outro ano. Mas, eu estava no metrô. Então: eu com 19 anos de idade, o primeiro beijo em uma boate, a primeira dança com outro homem, o primeiro beijo em outro homem. E “She drives me crazy” deixa de ser apenas uma música dos anos 80, para ser uma lembrança de quando tudo teve início, para  ser um “sim” ao que é impossível de se impedir.

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