o homem humano

 

Se não fosse a esperança de que me aguardas com a mesa posta

o que seria de mim eu não sei.

Sem o Teu Nome

a claridade do mundo não me hospeda,

é crua luz crestante sobre ais.

Eu necessito por detrás do sol

do calor que não se põe e tem gerado meus sonhos,

na mais fechada noite, fulgurantes lâmpadas.

Porque acima e abaixo e ao redor do que existe permaneces,

eu repouso meu rosto nesta areia

contemplando as formigas, envelhecendo em paz

como envelhece o que é de amoroso dono.

O mar é tão pequenino diante do que eu choraria

se não fosses meu Pai.

Ó Deus, ainda assim não é sem temor que Te amo,

nem sem medo.

 

(Adélia Prado – “O homem humano”, em Terra de Santa Cruz).

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